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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Red Overlord - Capítulo 08

 

Episódio 08 – Até aquele dia, não vou parar



Ailin realmente era uma garota inteligente e diligente. Um mês depois de começarmos a morar juntos, ela já cuidava da maior parte das tarefas domésticas. Graças a isso, eu podia me concentrar ainda mais nos estudos e no treinamento.

Mas… mesmo com os estudos e o treinamento, será que tudo continuaria assim para sempre?

— Ei, velho.

— O que foi?

— Eu gosto de estudar e treinar, mas… qual é o próximo passo?

— Não se apresse.

O velho me lançou um olhar frio.

— O fato de você estar ficando mais forte é apenas a primeira etapa.

— E a segunda?

— Você vai se tornar um soldado.

— Soldado?

Inclinei a cabeça, confuso.

— Exatamente. Soldado. No tempo de guerra, é o poder dos soldados que realmente faz diferença.

— Guerra… mas agora estamos em paz, não?

O velho zombou de mim, chamando-me de Red: “Você ainda tem muito o que aprender.”

— Ouça bem. Paz não é nada além de um período de preparação para a próxima guerra.

Pensando bem, fazia sentido.

— Mas… e se a próxima guerra acontecer daqui a várias décadas? Até lá, eu já estarei velho, igual ao senhor.

— Seu insolente…

O velho me fitou.

— Diferente de você, eu sei que em breve haverá guerra neste reino… e será uma guerra civil.

— Guerra civil…?

Quando duvidei, ele movimentou sua bengala e desenhou um porco no chão.

— O rei atual, Patrick Kine, é o mais estúpido entre os estúpidos. Desde que assumiu o trono há sete anos… tudo o que faz é comer bem, beber vinho doce e dormir com belas mulheres. Nada mais.

— Isso até parece invejável…

— Graças a isso, seu corpo está em péssimo estado. Dizem que ele mal consegue andar sozinho.

— Isso, definitivamente, não é invejável.

Então esse idiota é o topo deste reino… que injustiça.

— Segundo minhas previsões, ele vai morrer nos próximos cinco anos.

— Mas se o rei morrer, seu filho só terá que assumir o trono, não é?

— Não é tão simples. Patrick não fez nenhum preparo para transferir o poder ao filho.

— Um completo inútil…

— Mas é útil para nós.

O velho sorriu satisfeito.

— Quando o idiota morrer, a família real começará a lutar pelo poder. Isso se transformará em uma guerra civil… e o país vizinho aproveitará a oportunidade. Este reino está agora diante de uma crise sem precedentes.

Assenti, compreendendo.

— Faz sentido. Mas se o senhor sabe tudo isso, por que os grandes não fazem nada?

— Eles sabem, mas… são cegos pela ganância.

O sorriso do velho se tornou um escárnio.

— Acha que pessoas movidas apenas pela ganância escolheriam “abandonar o poder e se unir pelo bem do reino” só porque há uma crise?

— Claro que não.

— Exato. Cegos pela ganância, caindo em armadilhas mesmo sabendo que são armadilhas… é isso que significa ser humano.

Assenti novamente. Tudo o que ele dizia fazia sentido.

— Mas… prever que este reino se tornará um inferno sem nem franzir a testa… senhor, o senhor é realmente um demônio.

— Está descobrindo agora?

O velho riu.

— Saí do inferno como um demônio para destruir este reino. E você é o humano escolhido por esse demônio.

— Pela aparência, eu que pareço o demônio…

Ri da piada dele. Nesse instante, Ailin trouxe dois copos de água.

— Ah… ah ah.

Ela devia estar dizendo “bebam isto”. Recebemos os copos e bebemos.

— Se o velho é um demônio, Ailin deve ser um anjo, então.

— Concordo.

Fechei os olhos por um instante e imaginei a realização da profecia do velho. O reino em ruínas, cidades e vilas devastadas pelos exércitos… e eu liderando essas tropas. Era uma imagem que me deixava estranhamente satisfeito.


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