Episódio 08 – Até aquele dia, não vou parar
Mas… mesmo com os estudos e o treinamento, será que tudo continuaria assim para sempre?
— Ei, velho.
— O que foi?
— Eu gosto de estudar e treinar, mas… qual é o próximo passo?
— Não se apresse.
O velho me lançou um olhar frio.
— O fato de você estar ficando mais forte é apenas a primeira etapa.
— E a segunda?
— Você vai se tornar um soldado.
— Soldado?
Inclinei a cabeça, confuso.
— Exatamente. Soldado. No tempo de guerra, é o poder dos soldados que realmente faz diferença.
— Guerra… mas agora estamos em paz, não?
O velho zombou de mim, chamando-me de Red: “Você ainda tem muito o que aprender.”
— Ouça bem. Paz não é nada além de um período de preparação para a próxima guerra.
Pensando bem, fazia sentido.
— Mas… e se a próxima guerra acontecer daqui a várias décadas? Até lá, eu já estarei velho, igual ao senhor.
— Seu insolente…
O velho me fitou.
— Diferente de você, eu sei que em breve haverá guerra neste reino… e será uma guerra civil.
— Guerra civil…?
Quando duvidei, ele movimentou sua bengala e desenhou um porco no chão.
— O rei atual, Patrick Kine, é o mais estúpido entre os estúpidos. Desde que assumiu o trono há sete anos… tudo o que faz é comer bem, beber vinho doce e dormir com belas mulheres. Nada mais.
— Isso até parece invejável…
— Graças a isso, seu corpo está em péssimo estado. Dizem que ele mal consegue andar sozinho.
— Isso, definitivamente, não é invejável.
Então esse idiota é o topo deste reino… que injustiça.
— Segundo minhas previsões, ele vai morrer nos próximos cinco anos.
— Mas se o rei morrer, seu filho só terá que assumir o trono, não é?
— Não é tão simples. Patrick não fez nenhum preparo para transferir o poder ao filho.
— Um completo inútil…
— Mas é útil para nós.
O velho sorriu satisfeito.
— Quando o idiota morrer, a família real começará a lutar pelo poder. Isso se transformará em uma guerra civil… e o país vizinho aproveitará a oportunidade. Este reino está agora diante de uma crise sem precedentes.
Assenti, compreendendo.
— Faz sentido. Mas se o senhor sabe tudo isso, por que os grandes não fazem nada?
— Eles sabem, mas… são cegos pela ganância.
O sorriso do velho se tornou um escárnio.
— Acha que pessoas movidas apenas pela ganância escolheriam “abandonar o poder e se unir pelo bem do reino” só porque há uma crise?
— Claro que não.
— Exato. Cegos pela ganância, caindo em armadilhas mesmo sabendo que são armadilhas… é isso que significa ser humano.
Assenti novamente. Tudo o que ele dizia fazia sentido.
— Mas… prever que este reino se tornará um inferno sem nem franzir a testa… senhor, o senhor é realmente um demônio.
— Está descobrindo agora?
O velho riu.
— Saí do inferno como um demônio para destruir este reino. E você é o humano escolhido por esse demônio.
— Pela aparência, eu que pareço o demônio…
Ri da piada dele. Nesse instante, Ailin trouxe dois copos de água.
— Ah… ah ah.
Ela devia estar dizendo “bebam isto”. Recebemos os copos e bebemos.
— Se o velho é um demônio, Ailin deve ser um anjo, então.
— Concordo.
Fechei os olhos por um instante e imaginei a realização da profecia do velho. O reino em ruínas, cidades e vilas devastadas pelos exércitos… e eu liderando essas tropas. Era uma imagem que me deixava estranhamente satisfeito.
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