Capítulo 10 — Esse “trabalho noturno” parece interessante
— Ei, Ailin. Acorde.
— Auu…
Acordei Ailin, que estava dormindo no quarto da estalagem.
— Está na hora de irmos.
— …Au!
Com uma expressão que parecia dizer “Desculpa!”, Ailin pulou rapidamente da cama.
Saímos juntos da estalagem, e lá fora, sob o céu noturno, o velho já estava esperando.
— Francamente…
— Ailin ainda é uma criança. Não tem jeito.
— Você não está sendo gentil demais com essa garota?
Enquanto o velho fazia uma careta e eu respondia, Ailin começou a abaixar a cabeça várias vezes dizendo:
— Au! Au!
— Tch… tanto faz. Vamos logo.
Caminhamos pela cidade sob a luz da lua.
A multidão e o barulho do dia haviam desaparecido como se fossem mentira.
De vez em quando apenas cruzávamos com marinheiros ou bêbados.
— Aquele ali é o lugar do “trabalho noturno”.
O velho apontou com o cajado para a frente.
Havia ali um prédio enorme que parecia um armazém.
Quando nos aproximamos, um homem enorme que guardava a entrada abriu um sorriso ao ver o velho.
— Ora, ora! Quanto tempo! Velho Rato!
— Faz tempo.
— Não me diga que vai participar hoje?
— Não. Já estou velho demais para isso. Mas…
O velho apontou para mim com o polegar.
— Trouxe meu discípulo.
— Discípulo do senhor?
O homem grande me encarou.
Provavelmente não conseguia ver meu rosto por causa do capuz.
— Realmente parece forte… mas… e essa criança?
— Filha de um amigo. Estou cuidando dela por um tempo.
— Entendo… Se está com o senhor, não tem problema. Por favor, entrem.
O homem abriu a porta, e entramos no prédio.
— Bate nele!
— O que está fazendo!?
— Mata! Mata!
Dentro do prédio havia uma grande multidão.
Todos gritavam para além de uma grade de ferro.
Do outro lado da grade…
dois homens lutavam desesperadamente, trocando socos.
— Velho… isso aqui é…
— Não é óbvio? Um ringue de luta.
O velho apontou com o cajado para os dois homens.
— As pessoas apostam dinheiro em qual deles vai vencer.
— Entendi… então é jogo.
Agora fazia sentido por que todos estavam tão excitados.
— Não seria exagero dizer que jogos de aposta são essenciais para a sociedade humana.
Os dois homens continuavam lutando, mesmo cobertos de sangue.
Quanto mais sangue derramavam, mais a multidão se excitava.
Ailin, assustada com aquela cena, se escondeu atrás de mim.
— Os humanos precisam de alguma forma de liberar o estresse do dia a dia.
— Além disso, o prazer de vencer e a frustração de perder são extremamente intensos.
— Depois que alguém prova esse tipo de emoção… se tornar um viciado é muito fácil.
— Em qualquer época, é sempre assim.
— E também sempre existem pessoas que ganham dinheiro explorando esses viciados, não é?
— Exatamente.
Nos aproximamos das escadas que levavam ao segundo andar.
Dois homens enormes estavam de guarda, mas ao reconhecerem o velho, abriram caminho imediatamente.
O segundo andar parecia um bar.
Alguns homens estavam sentados bebendo.
Era o completo oposto da agitação do primeiro andar.
Ou seja…
eles eram os responsáveis por lucrar com os viciados lá embaixo.
Uma organização criminosa.
— Velho Rato.
Eles pareceram surpresos ao ver o velho.
Mas ele simplesmente os ignorou e caminhou até uma porta no fundo do andar.
Tocou.
— Pode entrar.
Uma voz masculina respondeu de dentro.
O velho abriu a porta sem hesitar.
Ailin e eu entramos logo atrás.
Dentro havia um salão luxuoso, elegantemente decorado.
Parecia mais a residência de um nobre do que um escritório de criminosos.
Havia vários homens no quarto, mas o que mais chamava atenção era o homem sentado na mesa central.
Ao ver o velho, ele se levantou.
— Oh… Velho Rato. Quanto tempo.
— Faz tempo, Roberto.
O homem chamado Roberto sorriu.
— Por favor, sentem-se.
Sentamos à mesa.
Observei Roberto com atenção.
Era um homem elegante, quase aristocrático.
A palavra “belo homem de meia-idade” combinava perfeitamente com ele.
Mas…
eu percebi imediatamente.
Esse homem é o chefe da organização criminosa.
Essa presença não deixava dúvidas.
— O que o traz aqui hoje? Não me diga que voltou à ativa?
— Não. Hoje trouxe meu discípulo.
— Discípulo?
O olhar afiado de Roberto se voltou para mim.
— Meu nome é Roberto. Sou o responsável por este estabelecimento.
— Poderia mostrar seu rosto?
— Claro.
Tirei o capuz.
— Oh…
Mesmo vendo minha pele vermelha, Roberto não pareceu surpreso.
— De fato… apenas pela aparência já parece forte.
Ele até sorriu.
Como esperado de um chefe do submundo.
— Qual é o seu nome?
— Red.
— Prazer em conhecê-lo, senhor Red. Espero que nos demos bem daqui para frente.
Depois da saudação educada, Roberto olhou para Ailin.
— E essa jovem? É neta do velho?
— Filha de um amigo. Estou cuidando dela por um tempo.
— Entendo.
Ailin parecia um pouco assustada.
Provavelmente sentiu a pressão que Roberto emanava.
— Então hoje será a estreia do senhor Red no ringue?
— Sim. Mas é a primeira vez dele, então prepare apenas uma luta leve.
— Entendido.
Roberto chamou um subordinado e deu instruções em voz baixa.
O homem respondeu:
— Sim, senhor!
E saiu da sala.
— Já organizei a luta. Vai levar alguns minutos.
— Enquanto isso, gostariam de beber algo?
Recusamos o álcool.
Então Roberto mandou trazer água e frutas.
O velho bebeu apenas água.
Eu entreguei uma maçã para Ailin, que ainda estava nervosa.
Ela segurou a maçã com as duas mãos e começou a comer.
Alguns minutos depois, um subordinado entrou correndo na sala.
— A luta do senhor Red começará em breve!
— Muito bem. Então vamos.
Saímos da sala com Roberto e fomos até um canto do segundo andar.
Havia uma escada.
— Descendo por aqui você chegará à arena.
— Já conhece as regras?
— Não. Mas imagino que seja só derrubar o oponente na pancada, sem armas.
— Hahaha… exatamente.
Roberto sorriu.
Aquele sorriso parecia o de um gentil cavalheiro.
— Também assistirei à luta. Espero que seja um bom espetáculo.
Assenti levemente e desci as escadas.
O velho me observava com expressão neutra.
Ailin, por outro lado, parecia preocupada.
Ao chegar ao final da escada, vi um longo corredor.
Ele levava a um espaço cercado por grades de ferro…
a arena de combate.
— …Parece divertido.
Meu coração começou a bater mais rápido, cheio de expectativa.
Talvez…
eu realmente venha a gostar desse “trabalho noturno”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário