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sexta-feira, 13 de março de 2026

Red Overlord Vol.02 - Capítulo 10

Capítulo 10 — Esse “trabalho noturno” parece interessante

— Ei, Ailin. Acorde.

— Auu…

Acordei Ailin, que estava dormindo no quarto da estalagem.

— Está na hora de irmos.

— …Au!

Com uma expressão que parecia dizer “Desculpa!”, Ailin pulou rapidamente da cama.

Saímos juntos da estalagem, e lá fora, sob o céu noturno, o velho já estava esperando.

— Francamente…

— Ailin ainda é uma criança. Não tem jeito.

— Você não está sendo gentil demais com essa garota?

Enquanto o velho fazia uma careta e eu respondia, Ailin começou a abaixar a cabeça várias vezes dizendo:

— Au! Au!

— Tch… tanto faz. Vamos logo.

Caminhamos pela cidade sob a luz da lua.

A multidão e o barulho do dia haviam desaparecido como se fossem mentira.

De vez em quando apenas cruzávamos com marinheiros ou bêbados.

— Aquele ali é o lugar do “trabalho noturno”.

O velho apontou com o cajado para a frente.

Havia ali um prédio enorme que parecia um armazém.

Quando nos aproximamos, um homem enorme que guardava a entrada abriu um sorriso ao ver o velho.

— Ora, ora! Quanto tempo! Velho Rato!

— Faz tempo.

— Não me diga que vai participar hoje?

— Não. Já estou velho demais para isso. Mas…

O velho apontou para mim com o polegar.

— Trouxe meu discípulo.

— Discípulo do senhor?

O homem grande me encarou.

Provavelmente não conseguia ver meu rosto por causa do capuz.

— Realmente parece forte… mas… e essa criança?

— Filha de um amigo. Estou cuidando dela por um tempo.

— Entendo… Se está com o senhor, não tem problema. Por favor, entrem.

O homem abriu a porta, e entramos no prédio.

Bate nele!

— O que está fazendo!?

Mata! Mata!

Dentro do prédio havia uma grande multidão.

Todos gritavam para além de uma grade de ferro.

Do outro lado da grade…

dois homens lutavam desesperadamente, trocando socos.

— Velho… isso aqui é…

— Não é óbvio? Um ringue de luta.

O velho apontou com o cajado para os dois homens.

— As pessoas apostam dinheiro em qual deles vai vencer.

— Entendi… então é jogo.

Agora fazia sentido por que todos estavam tão excitados.

— Não seria exagero dizer que jogos de aposta são essenciais para a sociedade humana.

Os dois homens continuavam lutando, mesmo cobertos de sangue.

Quanto mais sangue derramavam, mais a multidão se excitava.

Ailin, assustada com aquela cena, se escondeu atrás de mim.

— Os humanos precisam de alguma forma de liberar o estresse do dia a dia.

— Além disso, o prazer de vencer e a frustração de perder são extremamente intensos.

— Depois que alguém prova esse tipo de emoção… se tornar um viciado é muito fácil.

— Em qualquer época, é sempre assim.

— E também sempre existem pessoas que ganham dinheiro explorando esses viciados, não é?

— Exatamente.

Nos aproximamos das escadas que levavam ao segundo andar.

Dois homens enormes estavam de guarda, mas ao reconhecerem o velho, abriram caminho imediatamente.

O segundo andar parecia um bar.

Alguns homens estavam sentados bebendo.

Era o completo oposto da agitação do primeiro andar.

Ou seja…

eles eram os responsáveis por lucrar com os viciados lá embaixo.

Uma organização criminosa.

— Velho Rato.

Eles pareceram surpresos ao ver o velho.

Mas ele simplesmente os ignorou e caminhou até uma porta no fundo do andar.

Tocou.

— Pode entrar.

Uma voz masculina respondeu de dentro.

O velho abriu a porta sem hesitar.

Ailin e eu entramos logo atrás.

Dentro havia um salão luxuoso, elegantemente decorado.

Parecia mais a residência de um nobre do que um escritório de criminosos.

Havia vários homens no quarto, mas o que mais chamava atenção era o homem sentado na mesa central.

Ao ver o velho, ele se levantou.

— Oh… Velho Rato. Quanto tempo.

— Faz tempo, Roberto.

O homem chamado Roberto sorriu.

— Por favor, sentem-se.

Sentamos à mesa.

Observei Roberto com atenção.

Era um homem elegante, quase aristocrático.

A palavra “belo homem de meia-idade” combinava perfeitamente com ele.

Mas…

eu percebi imediatamente.

Esse homem é o chefe da organização criminosa.

Essa presença não deixava dúvidas.

— O que o traz aqui hoje? Não me diga que voltou à ativa?

— Não. Hoje trouxe meu discípulo.

— Discípulo?

O olhar afiado de Roberto se voltou para mim.

— Meu nome é Roberto. Sou o responsável por este estabelecimento.

— Poderia mostrar seu rosto?

— Claro.

Tirei o capuz.

— Oh…

Mesmo vendo minha pele vermelha, Roberto não pareceu surpreso.

— De fato… apenas pela aparência já parece forte.

Ele até sorriu.

Como esperado de um chefe do submundo.

— Qual é o seu nome?

Red.

— Prazer em conhecê-lo, senhor Red. Espero que nos demos bem daqui para frente.

Depois da saudação educada, Roberto olhou para Ailin.

— E essa jovem? É neta do velho?

— Filha de um amigo. Estou cuidando dela por um tempo.

— Entendo.

Ailin parecia um pouco assustada.

Provavelmente sentiu a pressão que Roberto emanava.

— Então hoje será a estreia do senhor Red no ringue?

— Sim. Mas é a primeira vez dele, então prepare apenas uma luta leve.

— Entendido.

Roberto chamou um subordinado e deu instruções em voz baixa.

O homem respondeu:

— Sim, senhor!

E saiu da sala.

— Já organizei a luta. Vai levar alguns minutos.

— Enquanto isso, gostariam de beber algo?

Recusamos o álcool.

Então Roberto mandou trazer água e frutas.

O velho bebeu apenas água.

Eu entreguei uma maçã para Ailin, que ainda estava nervosa.

Ela segurou a maçã com as duas mãos e começou a comer.

Alguns minutos depois, um subordinado entrou correndo na sala.

— A luta do senhor Red começará em breve!

— Muito bem. Então vamos.

Saímos da sala com Roberto e fomos até um canto do segundo andar.

Havia uma escada.

— Descendo por aqui você chegará à arena.

— Já conhece as regras?

— Não. Mas imagino que seja só derrubar o oponente na pancada, sem armas.

— Hahaha… exatamente.

Roberto sorriu.

Aquele sorriso parecia o de um gentil cavalheiro.

— Também assistirei à luta. Espero que seja um bom espetáculo.

Assenti levemente e desci as escadas.

O velho me observava com expressão neutra.

Ailin, por outro lado, parecia preocupada.

Ao chegar ao final da escada, vi um longo corredor.

Ele levava a um espaço cercado por grades de ferro…

a arena de combate.

— …Parece divertido.

Meu coração começou a bater mais rápido, cheio de expectativa.

Talvez…

eu realmente venha a gostar desse “trabalho noturno”.

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