Side Story — O Engenheiro Genial
— O quê!? Aqueles dois também vão mudar de emprego!?
Após ouvir o relatório de sua secretária, o novo presidente da empresa levantou a voz, surpreso.
— Me desculpe!
— Não, não precisa se desculpar. Eu que peço perdão por me exaltar.
Ele respirou fundo.
Depois, analisou a situação com o máximo de calma possível.
— Aquele sistema é praticamente o coração da empresa. Se minha memória não falha, mesmo sem ninguém operando, 80% das operações continuam funcionando normalmente. O problema está nos 20% restantes. Estou errado?
— Não, está correto.
O novo presidente continuou analisando a situação.
— E se deixarmos isso como está?
— …No pior cenário, poderemos entrar no vermelho.
— Entendo.
O presidente ficou pensando.
Se a empresa apresentasse prejuízo já no primeiro balanço após sua posse, isso causaria uma péssima impressão para os acionistas.
Claro, havia várias desculpas possíveis como registrar perdas temporárias devido à reorganização da empresa…
Mas havia também a reunião do conselho.
Durante a reforma organizacional, todos haviam concordado com ele.
Mas depois de um prejuízo?
Era pouco provável que continuassem sendo tão cooperativos.
Ou seja:
Se o problema fundamental não fosse resolvido, não haveria futuro.
— Não temos ninguém que possamos transferir de outros departamentos. Nesse caso… terceirização.
— Com todo respeito, acabamos de encerrar vários contratos externos. Não será fácil conseguir alguém imediatamente.
— Quanto tempo?
— Pelo menos… um mês.
Que absurdo…
Ele mordeu os lábios, engolindo a raiva.
— Então faça o seguinte. Obrigue aqueles quatro a voltar ao escritório. Não posso permitir que tirem férias enquanto o sistema está parado. Ainda temos um mês até a saída oficial deles. Dê um jeito até lá.
— Entendido! Vou providenciar isso imediatamente!
— Certo. Conte com isso.
A secretária saiu apressada da sala do presidente.
— Não, espere.
— Sim?
O novo presidente a chamou novamente e respirou fundo.
— Admito… eu estava errado.
— …Como assim?
Com uma expressão amarga, ele disse:
— Traga Ai Sato de volta. Não importa como.
— Entendido.
— Pode ir.
A secretária saiu.
Agora sozinho, o presidente esperou alguns segundos para confirmar que não havia ninguém por perto.
Então—
BANG!
Ele bateu com força na mesa.
— Que absurdo!!!
A raiva era dirigida aos engenheiros que haviam fugido.
— São apenas 20% das operações! Antes uma única pessoa cuidava disso! E agora dois engenheiros não conseguem… e ainda fogem!? Ridículo!
O sistema criado por Ai Sato e seus colegas processava 80% do trabalho automaticamente.
Qualquer pessoa com algum conhecimento técnico entenderia o quão absurdamente avançado isso era.
Mas ele não tinha essa capacidade de julgamento.
Para ele era apenas:
“20% restantes.”
Mas aqueles 20% não eram simples.
Eram as tarefas que nem mesmo um sistema capaz de automatizar 80% da empresa conseguiu automatizar completamente.
— Maldita Sato Ai…
Que sistema absurdo ela deixou.
Mesmo assim…
Ele não estava convencido.
Mas ao analisar a situação de forma objetiva, percebeu que provavelmente ele era quem estava errado.
Por isso decidiu trazê-la de volta.
Mesmo odiando-a.
Um executivo não pode tomar decisões baseadas em emoções.
Uma única decisão pode mover bilhões.
E esses bilhões podem determinar a felicidade ou infelicidade de milhares de funcionários.
Por isso ele tentava agir racionalmente.
Não fazia sentido algum que duas pessoas não conseguissem administrar um sistema que aquela mulher cosplay administrava sozinha.
Mas aparentemente…
Os quatro engenheiros que haviam fugido tinham chegado a outra conclusão.
Ele não era um executivo incompetente.
Apenas…
ignorante.
Ele simplesmente não entendia os engenheiros.
— Será mesmo que apenas Sato Ai pode administrar aquele sistema…?
Ele se perguntou.
A resposta lógica seria não.
Mas a realidade mostrava o contrário.
Então só podia haver uma explicação.
— …Ou seja, é preciso habilidade, não é?
***
Seu nome era Oto Kanzaki.
Ele era o que chamam hoje de influenciador.
Mesmo tendo apenas 32 anos, já havia:
- aberto uma startup
- levado a empresa para a bolsa
- vendido o negócio
- e agora investia no exterior.
Um verdadeiro exemplo de sucesso.
Nas redes sociais ele possuía mais de 100 mil seguidores, principalmente engenheiros.
Ele se considerava, antes de tudo, um engenheiro de IA.
Quando perguntavam por que também era empreendedor, respondia:
— Porque não existe nenhuma empresa que me satisfaça.
Normalmente alguém seria criticado por dizer isso.
Mas quando se tem resultados, as pessoas passam a admirar.
Se alguém o criticava, seus fãs respondiam:
“Só inveja kkkkk”
Ele era praticamente invencível nas redes.
Naquele momento, Ōto estava de volta ao Japão.
Seu novo projeto no exterior estava estável, então ele retornou para lançar uma nova joint venture no país.
A rotina dele
Ōto acordava cedo.
Enquanto lavava o rosto e escovava os dentes, já estava checando e-mails.
Para ele, trabalho e vida eram a mesma coisa.
Seu ídolo era um empresário famoso que continuou trabalhando mesmo após receber um diagnóstico de morte iminente e acabou superando a doença.
— Cara… um dia eu também quero chegar nesse nível…
Kanzaki Ōto era do tipo gênio meio maluco.
Então, enquanto verificava os e-mails, parou de repente.
— Hm?
Um e-mail chamou sua atenção.
— Orlabi…? Já ouvi esse nome antes…
Ele então perguntou nas redes sociais:
Ei, alguém conhece o sistema Orlabi?
Depois colocou o celular de lado e tomou um banho.
Trinta minutos depois, voltou e conferiu as respostas.
Havia oito respostas.
- Quatro inúteis
- Três resultados de pesquisa
- E uma extremamente interessante
— Isso parece muito divertido.
Ele ligou imediatamente para o número que estava no e-mail.
Naquela mesma tarde
Ele visitou a empresa RaWi Co.
Durante o processo, fez várias postagens.
Vou ver aquele sistema.
Tô empolgado demais. Não entendi nada.
Não posso falar detalhes… mas isso é absurdo. Um novo mundo.
O desenvolvedor já pediu demissão!? kkkkk
Foi divertido. Agora hora de trabalhar.
***
— Então, o que achou do nosso sistema?
— É uma obra de arte. É uma pena não poder falar com o desenvolvedor.
— Concordo plenamente. É difícil manter engenheiros talentosos.
— Sem dúvida.
Apesar de sua personalidade nas redes, Ōto era educado pessoalmente.
— Por favor, sente-se.
— Obrigado.
Ele pensou:
Então… qual será a proposta?
O presidente começou.
— Já ouvi falar de você. Impressionante para alguém tão jovem.
— Agradeço… mas...
Oto interrompeu educadamente.
— No meu caso, não precisa de introdução. Vamos direto ao ponto.
Era uma fala arriscada.
Mas sua forma de falar não soava ofensiva.
— Por que me mostrou o sistema Orlabi?
O presidente sorriu.
— Os jovens realmente gostam de velocidade.
— Depende da situação. Mas aqui eu sou o cliente.
Então Ōto disse, com os olhos brilhando:
— Eu só me importo com duas coisas:
- se o trabalho é interessante
- e se dá dinheiro
— Uma visão bastante racional.
Os dois se encaram em silêncio por alguns segundos.
Então o presidente perguntou:
— Se você pudesse obter o sistema Orlabi, o que faria?
— Seria incrível.
Então veio a proposta:
— A condição é simples. Durante um mês, você administra o sistema.
Ōto ergueu as sobrancelhas.
— Para ser sincero, ninguém conseguiu entender completamente o sistema. Seria um desperdício não usá-lo.
Oto apenas sorriu.
— Parece que engenheiros comuns não conseguem lidar com ele.
Então o presidente concluiu:
— Mas talvez você consiga.
Ōto levantou-se imediatamente.
Seu rosto brilhava como o de uma criança que encontrou um tesouro.
Então disse:
— Desculpa, procure outra pessoa.
— …O quê?
— Tenho outro compromisso. Com licença.
— Espere! Pelo menos ouça a proposta de pagamento!
— Valeu!
Ele saiu da sala como um estudante desinteressado.
O presidente ficou paralisado.
Minutos depois, Oto postou nas redes:
Desanimei.
A razão era simples.
Durante a conversa, o presidente havia pisado em seu orgulho três vezes:
- Sugeriu que ele fosse empregado, mesmo sendo um empreendedor ocupado.
- Pediu a um engenheiro de IA que administrasse um sistema completamente diferente.
- Tratou Ōto como apenas “mais um engenheiro talentoso qualquer.”
Ou seja:
Ele só queria qualquer técnico competente para resolver seu problema.
Assim…
O presidente havia criado um grande inimigo.
Tudo por subestimar engenheiros.
Depois que Oto saiu, o presidente murmurou:
— …Por quê?
— Eu… fiz algo errado?
Ele tinha certeza de que tudo estava perfeito.
Mas…
algo havia se quebrado.
— Bem… não importa. Kanzaki era apenas um plano B.
Se Satō Ai voltar, tudo se resolve.
Ela é apenas uma funcionária comum.
Basta pagar o suficiente.
— …Qual é minha próxima reunião?
Ele pegou o celular.
Parecia calmo.
Mas sua expressão já estava ligeiramente distorcida.
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