sábado, 7 de março de 2026

Red Overlord - Capítulo 09

Episódio 09 — Que sentimento estranho é esse?

Eu ensinei Airin a escrever.

Ela não conseguia falar direito, mas se aprendesse a escrever poderia expressar seus próprios pensamentos.

— Auu… auu…

— Isso, isso mesmo. Está escrito “Airin”… é o seu nome.

— Au…

Airin escreveu seu próprio nome no chão usando um galho.

Essa garota realmente é inteligente. Ela tinha estudado tão pouco e já conseguia escrever o próprio nome.

— Hm…

O Velho Rato, que estava tirando um cochilo, saiu da cabana e observou Airin escrevendo.

— Melhor que o Red.

— Concordo.

Assenti com a cabeça.

A inteligência de Airin realmente impressionava.

— Mas deixando isso de lado… Red.

— Hm?

— Vamos para a Cidade do Sul agora. Venha comigo.

A Cidade do Sul?

— Espera aí… e a Airin?

— Claro que vamos deixá-la aqui.

— Nem pensar. Não posso deixar a Airin sozinha.

O rosto do velho se contorceu.

— Francamente… tudo bem. Mas então você é responsável por cuidar dela.

— Claro.

Aproximei-me de Airin.

— Airin.

— Au.

— Vamos para a Cidade do Sul agora. Não se afaste de mim de jeito nenhum.

— Au!

Airin assentiu com uma expressão que parecia dizer “Entendido!”.

Coloquei meu capuz para esconder minha pele.
Então o velho, Airin e eu começamos a caminhar juntos.

Para Airin, era a primeira vez saindo tão longe da cabana.

— Cidade do Sul, hein…

Como o próprio nome sugere, a Cidade do Sul era muito maior do que qualquer vila.

Graças ao porto, o comércio havia prosperado ali. Todos os dias uma quantidade incontável de mercadorias era negociada.

Era realmente uma cidade comercial cheia de vida.

Mas…

Por trás dessa cidade movimentada, inúmeras organizações criminosas disputavam os lucros do comércio.

Por causa disso, não era raro que corpos sem identificação fossem encontrados.

Claro, os guardas também eram corruptos, então os culpados raramente eram presos.

Levar Airin para um lugar desses era perigoso.

Mas também não podia deixá-la sozinha.

— Velho, o que vamos fazer na Cidade do Sul?

— Dinheiro.

— Dinheiro?

— Isso mesmo. Nunca há dinheiro suficiente para uma operação.

O velho bateu levemente no meu ombro com o cajado.

— Até agora eu vinha ganhando dinheiro sozinho, mas a partir de hoje você também vai trabalhar.

— Entendi.

Eu sempre me perguntei como exatamente o Velho Rato ganhava dinheiro.

Talvez hoje finalmente descobrisse.

Quanto mais avançávamos para o sul, mais larga a estrada ficava.

Às vezes cruzávamos com carroças ou mercadores viajantes — pessoas que negociavam na Cidade do Sul.

— Au…

Quando finalmente chegamos à cidade, Airin murmurou baixinho e segurou minha mão.

Era compreensível.

Para ela, ver tantas pessoas indo e vindo era algo completamente novo.

Desde a entrada da cidade, pequenas lojas se alinhavam por toda parte.

As pessoas carregavam mercadorias, gritavam para atrair clientes…

A cidade inteira parecia um enorme mercado.

Era caótica, mas cheia de energia, e naturalmente atraía pessoas.

— Não faça nada desnecessário aqui, Red.

— Eu sei.

Não precisava me preocupar com os guardas inúteis.

Mas enfrentar as organizações criminosas que controlavam os bastidores da cidade… isso seria problemático.

Esses eram homens que achavam decidir o jantar mais irritante do que cometer um assassinato.

— Airin, segure minha mão com força.

— Au!

Nós apertamos as mãos um do outro.

Se Airin se perdesse ali, seria um grande problema.

— Por aqui.

O Velho Rato entrou no meio da multidão.

Airin e eu o seguimos cuidadosamente.

Depois de caminhar por cerca de trinta minutos, o cenário diante de nós ficou todo azul.

— Au…!

Airin deixou escapar um pequeno grito.

Além do porto se estendia um oceano infinito.

A visão esmagadora provavelmente a surpreendeu.

Quando vi o mar pela primeira vez, tive exatamente a mesma reação.

— Esperem aqui.

— Certo.

O velho foi sozinho para um canto do porto.

Olhei para Airin.

— Airin… quer ver aquele mar mais de perto?

— Au!

Ela assentiu.

Nós caminhamos em direção ao mar.

— Auu! Auu!

Sentindo o vento e o cheiro do oceano, Airin sorriu.

Era completamente diferente de mim.

Era o sorriso puro de uma criança.

— …Sabe, além desse mar existem países em outro continente. Dizem que lá tudo é diferente — desde a comida até as roupas.

— Auu!

— É… eu também gostaria de ir algum dia.

Meu objetivo é destruir este reino.

Para alguém como eu, viajar além do mar com Airin…

Provavelmente esse dia nunca chegará.

Mas…

— Au!

Ainda assim… é estranho.

Quando vejo o sorriso inocente de Airin…

A raiva acumulada dentro do meu peito parece desaparecer aos poucos.

Que sentimento estranho é esse?

— Red.

O Velho Rato voltou.

Eu imediatamente me recompus.

— Tome. Fique com isso.

Ele jogou algo para mim.

Era um saco de couro cheio de moedas.

— Velho… como você conseguiu esse dinheiro?

— Vendendo coisas.

— Mas você não estava carregando nada.

— Heh… você ainda tem muito a aprender.

O velho apontou para a própria cabeça.

— O que eu vendi… está aqui dentro.

— Você vendeu conhecimento?

— Mais precisamente… informação. Eu vendo informação para ganhar dinheiro.

Entendi.

Então o velho era um informante.

— Tenho amigos em muitos lugares. Só ajudar a circular informações entre eles já cria um valor enorme. Qualquer pessoa inteligente entende a importância da informação.

Ele falava como se fosse simples.

Mas ganhar tanto dinheiro vendendo informações exigia inteligência e iniciativa extraordinárias.

Em outras palavras, só alguém como ele conseguiria fazer isso.

— Então qual é o meu trabalho? Eu também vou vender informações?

— Você vai vender seu corpo.

Meu corpo…?

— Trabalho da noite. Fique ansioso por isso.

— Ei, velho… você não está dizendo que—

— Explico melhor depois. Ainda temos tempo até anoitecer… então vamos descansar um pouco.

Tínhamos caminhado por horas para chegar ali.

Airin provavelmente também estava cansada.

As palavras do velho me deixaram curioso…

Mas agora eu queria deixá-la descansar primeiro.

Então eu e Airin seguimos o velho, nos afastando do porto.


Página anterior】 【Proxima

Nenhum comentário:

Postar um comentário