quarta-feira, 10 de junho de 2026

Red Overlord - Capítulo 12

Capítulo 12: “Comigo, isso nunca vai acontecer”

Ao sair da arena e subir para o segundo andar, algo pequeno se lançou contra mim.

— Au…! Au…!

Era Ailin. Ela me abraçava chorando, olhando para cima com os olhos cheios de lágrimas. Provavelmente tinha ficado bastante abalada ao me ver apanhar.

Passei a mão na cabeça dela.

— Não se preocupa. Eu tô bem.

Ainda havia uma dor surda no corpo, mas nada disso era grave. Meu esqueleto é resistente.

— Você também ainda tá verde… — veio a voz fria do velho Rato.

Eu lancei um olhar irritado para ele.

— Eu não tive dificuldade nenhuma.

— É mesmo? Se a luta tivesse durado mais um pouco, você teria caído antes.

Esse velho desgraçado… como sempre, preciso.

— Enfim… o Roberto quer te entregar o pagamento pessoalmente. Entra lá.

— Tá.

Passei pelo velho e entrei na sala de Roberto. No instante seguinte, ele se levantou.

— Senhor Red… excelente combate.

— Valeu.

— Aqui está sua recompensa.

Recebi um saco de couro. Estava cheio de moedas.

— Tem bastante aqui.

— Foi sua primeira luta. Considere um bônus.

— Entendi. Obrigado.

— De nada. Ah, e pelo que o velho me disse… você tem apenas 17 anos?

— Tenho.

— Dezessete anos e já com essa força… impressionante.

Ele sorriu.

— Espero vê-lo novamente em breve.

— …Sim.

Saí da sala sentindo o olhar afiado dele nas minhas costas.




Já passava da meia-noite quando deixamos a cidade ao sul. O caminho até nossa cabana ainda levaria horas. Para mim e o velho não era problema, mas Ailin não aguentaria.

— Ailin.

— Au?

— Sobe nas minhas costas.

— Au… au!

Ela balançou a cabeça, assustada, mas depois de eu insistir, subiu timidamente. Pouco depois, adormeceu.

Leve. Por que ela é tão leve?

Foi o que pensei enquanto a carregava.

— Você é gentil, hein.

A voz do velho veio com sarcasmo.

— Não vai me dizer que começou a gostar de humanos agora… ou que desistiu da sua vingança?

— Do que você tá falando?

Soltei um riso curto.

— Comigo isso nunca vai acontecer. Um dia eu vou destruir tudo. Vou arrasar esse reino inteiro. Isso é certo.

— …É mesmo.

Ele assentiu.

— De qualquer forma, você vai continuar trabalhando naquele ringue.

— Pelo dinheiro?

— Pelo dinheiro… e pelo seu treinamento.

A voz dele ficou mais fria.

— Sobreviva lá por pelo menos um ano. Esse é o objetivo.

— Sobreviver, não vencer?

— Claro. Quem desiste porque perdeu… não serve pra nada.

— Repito: comigo isso nunca vai acontecer.

— Heh… fala demais.

Seguimos em silêncio pela estrada noturna. Só se ouviam nossos passos, os insetos ao redor… e a respiração leve de Ailin dormindo nas minhas costas.

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