Ao sair da arena e subir para o segundo andar, algo pequeno se lançou contra mim.
— Au…! Au…!
Era Ailin. Ela me abraçava chorando, olhando para cima com os olhos cheios de lágrimas. Provavelmente tinha ficado bastante abalada ao me ver apanhar.
Passei a mão na cabeça dela.
— Não se preocupa. Eu tô bem.
Ainda havia uma dor surda no corpo, mas nada disso era grave. Meu esqueleto é resistente.
— Você também ainda tá verde… — veio a voz fria do velho Rato.
Eu lancei um olhar irritado para ele.
— Eu não tive dificuldade nenhuma.
— É mesmo? Se a luta tivesse durado mais um pouco, você teria caído antes.
Esse velho desgraçado… como sempre, preciso.
— Enfim… o Roberto quer te entregar o pagamento pessoalmente. Entra lá.
— Tá.
Passei pelo velho e entrei na sala de Roberto. No instante seguinte, ele se levantou.
— Senhor Red… excelente combate.
— Valeu.
— Aqui está sua recompensa.
Recebi um saco de couro. Estava cheio de moedas.
— Tem bastante aqui.
— Foi sua primeira luta. Considere um bônus.
— Entendi. Obrigado.
— De nada. Ah, e pelo que o velho me disse… você tem apenas 17 anos?
— Tenho.
— Dezessete anos e já com essa força… impressionante.
Ele sorriu.
— Espero vê-lo novamente em breve.
— …Sim.
Saí da sala sentindo o olhar afiado dele nas minhas costas.
Já passava da meia-noite quando deixamos a cidade ao sul. O caminho até nossa cabana ainda levaria horas. Para mim e o velho não era problema, mas Ailin não aguentaria.
— Ailin.
— Au?
— Sobe nas minhas costas.
— Au… au!
Ela balançou a cabeça, assustada, mas depois de eu insistir, subiu timidamente. Pouco depois, adormeceu.
Leve. Por que ela é tão leve?
Foi o que pensei enquanto a carregava.
— Você é gentil, hein.
A voz do velho veio com sarcasmo.
— Não vai me dizer que começou a gostar de humanos agora… ou que desistiu da sua vingança?
— Do que você tá falando?
Soltei um riso curto.
— Comigo isso nunca vai acontecer. Um dia eu vou destruir tudo. Vou arrasar esse reino inteiro. Isso é certo.
— …É mesmo.
Ele assentiu.
— De qualquer forma, você vai continuar trabalhando naquele ringue.
— Pelo dinheiro?
— Pelo dinheiro… e pelo seu treinamento.
A voz dele ficou mais fria.
— Sobreviva lá por pelo menos um ano. Esse é o objetivo.
— Sobreviver, não vencer?
— Claro. Quem desiste porque perdeu… não serve pra nada.
— Repito: comigo isso nunca vai acontecer.
— Heh… fala demais.
Seguimos em silêncio pela estrada noturna. Só se ouviam nossos passos, os insetos ao redor… e a respiração leve de Ailin dormindo nas minhas costas.
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